NOSSA GENTE: O EMPRESÁRIO E EX-VICE-PREFEITO ARGEMIRO BALARINI

NOSSA GENTE: O EMPRESÁRIO E EX-VICE-PREFEITO ARGEMIRO BALARINI

São 76 anos morando em Colatina, portanto ele já é um colatinense. Foi aqui que Argemiro Balarini virou empresário e constituiu sua família com Dalza Tereza Chieppe Balarini. O filho dos comerciantes Ângelo Balarini e Ida Drago Balarini tinha saído com os pais de Iconha, no sul do Estado, para morar no distrito de Patrão-mor, que na época pertencia a Colatina e hoje é município de Marilândia. Era o ano de 1946, e o pai Ângelo, logo que chegou, abriu uma vendinha para comercializar produtos de primeira necessidade para os moradores da pequena comunidade.

“Meus pais vieram comigo e meus irmãos Agnaldo e Deonilda, e meus três tios, irmãos dele. Foi uma adolescência vivida com brincadeiras nas festas de Folia de Reis e nos bailes. A gente não tinha nem bicicleta, porque era muito cara, e carro a gente nem via. Era tudo feito com cavalo mesmo. Mas foi um tempo de muita responsabilidade muito cedo também, pois eu tive que ajudar meu pai na vendinha, porque ele ficou doente e não podia trabalhar muito, o que não foi fácil porque eu é que passei a fazer compras para a vendinha”, lembra.

Era uma rotina de viagens e muita dureza. “Eu vinha de Patrão-mor para a cidade de Colatina de cavalo, gastando 4 horas para vir e 4 horas para voltar para casa. Comprava o que precisava para a vendinha, e descia no Vaporzinho Juparanã, que fazia porto ali onde hoje é a rodoviária. Dali eu levava no Porto Brito, em Bonisegna (Marilândia), tirava a mercadoria e levava para Patrão-mor. Eu vinha todo arrumado, de terno, pois era o que os homens usavam na época”.

Argemiro lembra dos horários do Vaporzinho, que fazia o percurso pelo Rio Doce, de Colatina a Regência, em Linhares. Na terça-feira, às 7 horas, o barco saía de Colatina para a cidade de Linhares; na quarta-feira, ia de Linhares até Regência; na quinta-feira, ele voltava de Regência para a cidade de Linhares; e na sexta-feira, voltava para Colatina. “Eu ainda tenho a primeira nota do transporte de um motor alemão Deutz, enviado por uma serraria, que veio de Linhares de Vaporzinho para eu e meu irmão consertamos na nossa oficina e mandarmos de volta”, recorda.

Era uma viagem por semana. Depois o rio começou a ficar assoreado, o nível da água baixar e o barco mais famoso do Rio Doce começou a encalhar. Ele lamenta muito que o barco ficou ancorado em local próximo à igreja Batista se deteriorando até acabar. “Foi uma pena. Muita coisa era feita por ele. Foi muito útil para nós e era um patrimônio nosso”.

Ao mesmo tempo, a mãe de Argemiro, que já tinha um pequeno salão de beleza em Iconha, montou seu novo salão em Patrão-mor, para trabalhar junto com a filha Deonilda. “Elas faziam ondulação no cabelo das mulheres da comunidade. A minha mãe tinha aprendido a profissão em Cachoeiro de Itapemirim e ensinado minha irmã. O meu irmão Agnaldo trabalhava na ferraria do meu tio Benjamin Bressaneli, em Marilândia. E assim a gente ia vivendo”, disse.

Como logo depois foi aberta a estrada de Patrão-mor para Colatina, Ângelo comprou um ônibus para fazer o percurso. Argemiro passou então a trabalhar como condutor, que naquela época não era o motorista e sim o cobrador de hoje. O motorista era chamado de chofer, e o chofer era Miguel Alves Martins, que mora em Pancas, e está com 94 anos de idade.

“Nos anos 50 nós mudamos para Colatina. Meu pai comprou a casa que tinha neste lote aqui onde está essa loja, a BEL (Balarini Eletrodiesel), na Avenida Sílvio Avidos, em São Silvano. Meu irmão foi trabalhar em uma oficina mecânica. E aqui meu pai parou de trabalhar por causa da saúde. A minha mãe e minha Deonilda montaram novamente o salão de beleza próximo de casa. Era o único da região. Minha mãe morreu com 74 anos e Deonilda só parou de trabalhar por causa da idade, pois está com 94 anos, mas está forte, ajudando a tomar conta dos bisnetos”.

Ele lembra das poucas empresas de comércio de Colatina da época, como as Casas Franklin Kurt, e o gerente era o Nelson de Oliveira Neto. “Aqui em São Silvano não tinha quase nada. Só tinham os comércios do Guerino Menegatti e do José Menegatti Sobrinho, do Generoso Spelta, do Edivaldo Pelição, dos Cani e do Clóvis Pretti (Mercedinha). Também as oficinas do Cearense e do Serafini Lobão, e o Posto Esso, que depois virou a Colatina Diesel. E só tinha duas serrarias”.

Argemiro trabalhou por dois anos e meio nas Casas Franklin. Seu irmão Agnaldo então saiu da oficina que trabalhava e foi trabalhar na oficina mecânica dos Faroni. Naquele tempo Colatina ainda não tinha energia elétrica, e todos usavam lamparina. Também não tinha água encanada. Só tinha um poço que os moradores chamavam de “Toquinho”, para tirar água para cozinhar e beber.

Uma outra lembrança do empresário é de quando o padre Fulgêncio passava pelas ruas conversando com os moradores. “E ele conversava com todos. Aqui em São Silvano ainda não tinha igreja e a gente ia na igreja do Centro de Colatina. A primeira missa que aconteceu aqui foi em um galpão onde está hoje a loja Pneumax, de uma empresa de Vitória, que comprava café. E depois a igreja passou para o fundo do galpão, e depois ainda para detrás do local onde é hoje a Caixa Econômica do bairro. Toda a parte da praça que fica em frente à nossa igreja hoje era um tombador de jacarandá, que era descascado para exportação, e depois foi do Jorge Teixeira, da Ford. E depois foi comprado o terreno pela igreja católica para a construção da igreja atual. Fizeram a casa dos padres e depois fizeram a igreja. Em seguida surgiram o Colégio dos Passionistas e a Escola Honório Fraga. E assim São Silvano foi crescendo”.

Negócios

“Meu irmão saiu do Faroni e começou a trabalhar por conta própria na oficina que ele montou no fundo do nosso quintal, aqui onde a gente morava com nossos pais. Eu saí das Casas Franklin para trabalhar com ele. Comecei a trabalhar com meu irmão montando e desmontando motor diesel. Na época o gerador e as máquinas de café eram de motor a diesel, porque ainda não tinha energia elétrica. E daí para frente nós começamos a melhorar a oficina e depois dividimos; eu fiquei com a parte de oficina e ele com peças. Mais tarde ele mudou para Vitória e eu fiquei com a dele também”, explicou.

No próximo ano, a oficina mecânica de Argemiro vai completar 70 anos. “Aqui na BEL onde tudo começou, só mexo com carro. Eu e meu irmão (morreu com 60 anos) começamos a construir aqui, onde era a casa velha que nossa família morou. Desmanchamos a casa da frente e construímos uma atrás e colocamos a oficina na frente. Eu contratei um menino, o Amauri, para funcionário e aí fomos crescendo. Na época que nós compramos a casa, do lado havia um tombador de madeira para descascar jacarandá para exportar. Em 1967 eu comprei uma máquina de testar a bomba injetora para carro a diesel e mais tarde eu montei a retífica para motores”.

Depois de sete décadas, Argemiro decidiu passar a responsabilidade dos negócios para os filhos. “Pensei bem e concluí que foi a melhor coisa que fiz, pois tenho visto vários exemplos por aí para agir assim. Vejo que há empresários que não preparam os filhos para assumirem suas empresas e depois têm que deixar os negócios nas mãos de outras pessoas. E não é isso que eu quero. Já passei tudo para eles. Assumiram a BEL, a Retibal (atacado de peças) e a Balarini Retífica, em Linhares. Há 10 anos, meu filho Renato montou a parte eletrônica para caminhão”.

Casamento

Ainda nos anos 50 Argemiro conheceu Dalza Tereza, o amor de sua vida. Ela nasceu no distrito de Boapaba, em Colatina, mas os pais Virgílio Chieppe e Helena Dalla Bernardina decidiram morar em Córrego Estrela, outra comunidade rural. Eles se conheceram no Cine Floresta, em São Silvano. Dalza era uma moça que costurava e bordava com as irmãs para vender para fora.

“Começamos a namorar em 1955. Eu ia de motocicleta na casa dela. A gente namorava e se divertia nos bailes da roça e nos cinemas. O casamento aconteceu em 9 de novembro de 1957. Tivemos seis filhos (Roberto, Rogério, Renato, Rosângela, Raquele e Ronaldo, que faleceu, em 1981 aos, 18 anos, em um acidente de moto. Temos 10 netos e oito bisnetos”.

Política

“Eu era um empresário que gostava de ser empresário e não gostava de me envolver com política. Nunca tinha mexido com nada do assunto. Era totalmente alheio mesmo, me dedicava totalmente às empresas, e gostava da minha vida assim. Lidava com carros, que é o que eu sempre gostei de fazer. Mas as coisas mudam de uma hora para outra e foi o que aconteceu comigo”.

Ele conta que tudo começou em 1988 quando o então médico Dilo Binda se candidatou para Prefeito de Colatina e precisava de um vice na chapa. E aí seus correligionários queriam um empresário como vice e pensaram nele também como opção. “A escolha estava entre eu, o Darcy Dalla Bernardina e o Lourenço Bosi, mas o Dilo queria um representante de São Silvano e eu como único do bairro fui o escolhido. Eu continuava dizendo que não queria saber de política, mas minha família e amigos me pressionavam para aceitar e eu resistia. Eu dizia que não tinha curso superior, e até as mulheres dos políticos vinham falar com a Dalza para me convencer”.

E aí não teve outro jeito, Argemiro foi vencido pelo cansaço. E quando aceitou já estava tudo pronto para a campanha, inclusive os santinhos. “Os candidatos eram fortes. O Syro Tedoldi (produtor rural) e o Paulo Stefenoni (advogado e professor) já tinham sido prefeitos e ainda tinha o empresário Odilon Nicchio. Para todo mundo, o Dilo, que tinha sido Deputado Estadual pelo PFL (Partido da Frente Liberal), era o lanterna da disputa nas pesquisas, não tinha chance nenhuma, e ainda piorava a situação contando comigo porque eu nunca tinha mexido com política e fui filiado ao PL (Partido Liberal)”.

E aí começou a campanha, e ele não sabia o que falar, porque não entendia nada do assunto. Dilo tinha um fusquinha para levar o pessoal e Argemiro é que levava o povo para o interior para fazer campanha. “E eis que com todas as dificuldades, e para surpresa de todos, nós ganhamos. Foi uma campanha muito barata. O Odilon, que era rico, perdeu. Eu lembro que no primeiro dia de apuração nós empatamos, e no segundo dia nós colocamos mais de dois mil votos de frente, de diferença”.

Argemiro ri quando lembra que “no dia primeiro de janeiro de 1989, no seu primeiro dia de trabalho na Prefeitura, Dilo chegou às 5h30 da manhã e surpreendeu os guardas municipais, pois era muito cedo. E foi muito engraçado, pois o prefeito chegar tão cedo foi notícia. Mas na sua vida privada o Dilo realmente gostava de acordar cedo e passou a fazer assim também na Prefeitura”.

E aí o prefeito Dilo foi compor a sua equipe e nomeou Argemiro como Secretário de Administração. “Eu não queria, pois não podia assumir um setor que eu não entendia nada. Não sabia nada da área pública. Tinha a Ana Dory Vescovi, uma funcionária que entendia de tudo do setor, que me disse para eu assumir que ela me ajudaria, e eu topei. Hoje ela mora em Vitória. E depois eu fui assumindo outras Secretarias que o Dilo queria quando o secretário saía. E valeu a experiência que tive em cada uma, de 1989 a 1992”.

E foi assim até que um dia Dilo inventou uma viagem para dar a oportunidade de Argemiro assumir como Prefeito de Colatina por 15 dias. “Foi uma gentileza dele, pois eu tive o gostinho de ser prefeito por pouco tempo. Fiquei imensamente honrado e feliz. Depois disso acabou o mandato e eu me afastei da política e nunca mais quis me envolver. Voltei inteiramente para os negócios”.

Hoje, trabalhando muito pouco nas empresas já nas mãos dos filhos, ele tem tempo de fazer outras coisas que gosta com mais tranquilidade, sem a correria de antes. Vive às voltas com a administração do seu sítio, onde planta café, pimenta do reino e cacau. Já não pode contar com a companhia da companheira Dalza, que faleceu há três meses, mas ainda tem suas atividades sociais, no Rotary Clube de São Silvano, para encontrar os amigos. “Tenho saúde, graças a Deus. Nunca fui de beber muito. Tomo umas três cervejas por ano e muito suco de fruta natural. Fumei uns 30 anos, mas eram poucos cigarros por dia e parei tem muito tempo. Tomo só uns comprimidinhos e umas vitaminas, e só”, fala com orgulho.

Para um jovem empresário de hoje ele chama a atenção para as facilidades que existem e que em sua época não existiam. “Hoje tem curso para tudo, diferente de quando eu comecei, tanto para eles quanto para as empresas. O Sistema S está aí, tem tudo à disposição para eles pedirem ajuda e opinião. Na minha época não tinha ninguém para ensinar a gente e a gente aprendia na marra, errando e fazendo de novo. Hoje a garotada tem tudo aí, e podem evoluir muito mais”, concluiu.

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(27) 3177-7045
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Texto: Maria Tereza Paulino
Foto: Gabriel Ferreira

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