NOSSA GENTE: A COORDENADORA DE ESCOLA VILMA FERRARI

NOSSA GENTE: A COORDENADORA DE ESCOLA VILMA FERRARI

Vilma Ferrari é aquela pessoa que ao conversar a gente logo percebe que é uma pessoa que a gente quer guardar para sempre no cantinho esquerdo do peito, dentro do coração. Aos 88 anos, ela fala com os olhos ao esbanjar sorrisos, que nos dá a certeza de que ela é a cara da felicidade, cercada de quem gosta e fazendo o que gosta. E, principalmente, a certeza de que ela realizou todos os seus mais lindos sonhos.

Nascida em Itaguaçu (ES), Vilma é filha da professora Clemência Batista, e do fiscal da Prefeitura, Benevenutto Ferrari, porém, tem orgulho de dizer que “é colatinense de coração”, porque foi acolhida com seu marido Antônio Belmiro e os filhos Luís Rodolfo, Sônia, Sonely e Ângela Maria, pelo quente e imenso coração desta terra, quando veio morar aqui.

Tinham deixado para trás uma vida que começaram a construir juntos em fevereiro de 1953, ainda jovens, quando ele tinha 26 anos, e trabalhava como auxiliar de veterinário, e ela com 19 anos, ainda estudante. Ele, veio para trabalhar na implantação da então Gecofa (Grupo Executivo de Combate à Febre Aftosa) órgão originário da Emespe (Empresa Espírito-santense de Pecuária) e do atual Idaf (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal), e ela tinha deixado para trás a coordenação da Escola Estadual Eurico Salles.

O casal chegou aqui nos anos 70, depois de decidir que queria que os filhos estudassem faculdade. “Naquela época quem morava fora vinha estudar só na sexta-feira e no sábado. Nós decidimos então mudar para cá para darmos uma educação melhor para eles, porque em Itaguaçu não tinha faculdade. A faculdade era aqui em frente de casa. E aqui graças a Deus elas se formaram. Fomos morar primeiramente no bairro Vila Lenira, por dois anos, e depois em Maria Ismênia, Santa Cecília e Centro, até conseguir comprar a casa que moramos atualmente, em São Vicente”.

A funcionária pública veio para Colatina transferida para trabalhar na coordenação da Escola Conde de Linhares, época que, segundo ela, marcou sua vida para sempre. “O Conde marcou a minha vida. Eu trabalhava com 13 classes e gostava do que fazia. Todos me respeitavam muito, eu tinha muita calma, chamava atenção, conversava. O meu jeito de trabalhar era assim. Eram cerca de 1 mil alunos em cada um dos três turnos. Era uma loucura. Tinha alunos de Colatina e também dos municípios vizinhos. Eu tinha amizade com eles, nunca precisava impor autoridade, tinha apego a cada um deles. Eu me sentia grandiosa no Conde. A consideração deles era muito importante para mim. Conquistei tudo com eles numa boa”.

O Conde, segundo ela, era uma escola que todos tinham como modelo de educação na região. “O diretor era o Sílvio Vitali. Por ali, passaram os que são hoje médicos, engenheiros, todos os tipos de profissionais. Eu passo ali em frente e sinto muita saudade. A gente tinha um corpo docente muito bom. Eram gritos de alunos por todos os lados. Dá uma imensa saudade. Eu trabalhava de dia e de noite muito feliz”.

Ela lembra que trabalhou com muita gente nos 22 anos na escola. Com a supervisora Lyslie Epichin e professores como Wilson Haese, Carlos Roberto David (Carlão), Lizete Martinelli, Lézio Sathler, Ivete Martinelli,, Fausto Mascarelo, Ana Maria Mascarelo, Diná Henriques, Diana Reis, Sílvia Binda, Rosa Fontes, Hélio Gaúcho, Adauto Bregamaschi, Alonso Bergamaschi, Natal Piumbini, Lito Dalla, Amabília Piumbini, Dirceu Pagani, Rita Batista Polese, Carla Polese, Dinorahy Padilha, Carmem Altoé, Jacimar Tamanini, Olney Braga, Genoefa Comério, Jussara Richa, Angela Linhalis, Nelson Gonçalves, Wagner Corradi, Eliede Regatieri, Penha Timóteo, Lurdinha Dallapícola, Arly Dallapícola Teixeira, Deleide Cherotto e o atual prefeito de Colatina, Guerino Balestrassi.

“Foram tantos os professores que eu não lembro de todos, e alguns eu não lembro dos sobrenomes, mas todos estão guardadinhos no meu coração, como  Ademir, Honorilda, Érica, Jorge, Irani, Estevão e João Luís.  Até minha filha Sônia deu aula lá. Não esqueço do Lézio que dava aula em vários colégios ao mesmo tempo e vivia na maior correria para dar conta do horário. Eu sempre procurava ajudar”.

Ela faz questão de ressaltar que “Guerino é um dos muitos professores que eu tenho uma grande consideração. Ele esteve no velório do meu marido. Eu o admiro demais, tanto ele quanto o Leonardo (Deptulski). O Leonardo sempre me tratou com muita dignidade, sabe? E até hoje essas amizades persistem, tanto que no dia em que meu marido morreu, quando eu vi o Guerino e o Leonardo, e meus outros ex-alunos, eu disse: eles todos estão aqui. Eles vieram. Alguns até mandaram coroa de flores. A gente se sente tão orgulhosa de saber que a gente é valorizada, e isso a gente nunca esquece”.

Para ela foi boa demais a época que viveu aqui e que ainda está vivendo. “Colatina para mim foi a época que o trem passava dentro da cidade, que muitas vezes o aluno, coitadinho, não dava tempo de atravessar para entrar na escola, e eu sempre pedia ao seu José, o inspetor, que esperasse um pouco para o trem passar e o aluno pudesse atravessar a linha e entrar na escola. Dias lindos e inesquecíveis”.

E não apenas professores, ela recorda. “Inspetores como seu Jonas e Milton, que olhavam a garotada. Também os funcionários da limpeza e os diretores como Rita Carvalho, Sílvio Vitali, Bernardete, Lucy Baiana e Carlão. O Sílvio era um excelente diretor. Eu lembro que quando eu cheguei em Colatina e fui me apresentar no Conde ele me acolheu de uma forma muito legal. Tinha uma confiança muito grande em mim. Na época ele também dava aula de língua portuguesa na faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (Fafic)”.

E as amizades foram sendo colecionadas por ela. “Tenho muitas amizades. Em qualquer lugar que eu entro eu encontro um ex-aluno, um ex-colega de trabalho, e isso é uma alegria, uma satisfação. São tantos que hoje viraram médicos, engenheiros e tantos outros profissionais que passaram por lá. Meu neto falava comigo que não ia sair comigo mais não, porque eu ficava parando com todo mundo que eu conhecia. Isso é uma alegria para mim”.

Colatina

“Cheguei em Colatina quando o Rio Doce ainda passava perto da rodoviária e o trem passava no Centro da cidade. É uma cidade que eu adoro. Como essa cidade foi e é acolhedora comigo. Agradeço a Deus. Eu me sinto uma colatinense, porque fui muito bem recebida e sou muito querida. Quando eu saí de Itaguaçu para cá, tinha gente chorando, as professoras não queriam que eu viesse, mas eu dizia que precisava vir com meu marido e minha família. Lá eu também era muito feliz. Mas eu estou muito feliz em estar aqui”.

E agora Vilma conta que os filhos estão pensando em vender esta casa e comprar uma perto de seu filho, em Vitória, ou da filha, em Aracruz. “Aqui moramos eu, a minha filha Sônia e a neta dela, Ivana. A Ivana, tem 18 anos, está fazendo faculdade e é maquiadora, e trabalha muito, até nos finais de semana. Eu não sei, vou decidir ainda. A minha sorte é a minha filha e a minha bisneta aqui comigo, elas são a minha felicidade, além do meu neto Rafael, que é muito apegado comigo”.

Mas o amor pela casa fala mais alto. Ela se recorda das dificuldades que enfrentaram para comprar o pedacinho de chão da família. “Aqui nesta casa tem muito suor da gente. Eu tenho pena de sair daqui, porque me dou bem com todos e tem tudo perto. Meu marido tinha muitas amizades aqui, e também não media esforços para ajudar quem precisasse”.

Diversão

A diversão dela fica por conta dos filhos e dos netos. “Passeio com as netas, vou para restaurante e comer pizza na Beira Rio. Elas sempre me levam. Viajo muito para as casas dos meus filhos que moram fora. E agora eu vou para um show com uma neta que eu nem sei de quem é. Os filhos falam que eu tenho netos queridinhos, mas eu falo que não, pois eu trato todos iguais’.

Depois de sair do Conde ela trabalhou muito ainda vendendo bordados, crochê, tricô. “Hoje eu ainda faço souplast de crochê e pérola e minha nora vende tudo em Vitória. Já fiz muito e vendia bastante, mas diminuí muito também. Fiz muito vestido de noiva, bolos para aniversário e casamento. Até dirigia e depois que meu velho morreu há 11 meses, eu não quero dirigir mais. Meu carrinho está parado aí na garagem e eu não quero mais não. Eu estou com problema no joelho, já carreguei muito todos os meus netos neste carro. Criei e eduquei um neto e ele já mora sozinho, minhas filhas estão bem graças a Deus. Agora eu vou dar uma descansada”.

Vilma fala que nasceu católica e vai morrer católica. “Eu frequento muito nossa igreja daqui. Eu frequentava muito o Mosteiro de Santa Clara quando eu dirigia, mas agora é só atravessar a rua e vou na missa na igreja daqui do bairro. De televisão só gosto dos noticiários. Não gosto de novelas. Gosto de ouvir as rádios Aparecida e Canção Nova. Rezo o Terço da Misericórdia. Hoje com Deus está difícil, imagina sem ele?

Foram 69 anos de casamento com o companheiro. “Eu e meu velho criamos muito bem nossos filhos. Peço a Deus que essa nova geração procure conquistas no trabalho. Meus filhos e meus netos são maravilhosos. Eles brigam porque todos querem ficar com a mamãe e tudo isso é válido, por tudo que fiz. São nove netos (Cristiano, Téo, Rafael, Heloara, Susy, Letícia, Paula, Mariana e Tony (falecido) e seis bisnetos (Ivana, Mateus, Eron, Maria Luisa, Ivan e Giovane). E a qualquer momento poderei ser tataravó”, concluiu.

Informações à Imprensa:
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Eduardo Candeias / Katler Dettmann / Maria Tereza Paulino
(27) 3177-7045
imprensa@colatina.es.gov.br
Texto: Maria Tereza Paulino
Foto: Gabriel Ferreira

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