História

 

PONTE FLORENTINO AVIDOS

Foi inaugurada em 1928, e com ela ocorreu a efetiva colonização da região Norte do Estado. Foi iniciada para a construção da Estrada de Ferro Norte do Rio Doce, de Colatina a São Mateus, que não foi concluída. Liga as regiões norte e sul da cidade e forma com a avenida Beira-Rio, o rio Doce e o pôr-do-sol o cartão postal de Colatina.

Foto noturna da ponte Florentino Avidos

O nome é em homenagem ao governador do Estado da época, então presidente do Estado, Florentino Avidos (1924-1928). Chama a atenção pelo seu comprimento, devido à imensa largura do Rio Doce que corta toda a cidade.

ORIGEM DA PONTE FOI A FERROVIA

Lucílio da Rocha Ribeiro, em seu livro "Contribuição à História da Imigração Italiana no Município de Colatina", de 1996, fala sobre a solenidade de início dos trabalhos da construção da Ferrovia que originou a construção da Ponte Florentino Avidos, na década de 20, do século passado:

"A solenidade comemorativa do início dos trabalhos dessa ferrovia foi realizada no dia 19 de abril de 1926 e contou com as presenças de autoridades federais, estaduais e municipais, bem como dos diretores da Companhia Territorial, e representantes de todas as classes sociais. Na oportunidade, o Dr. Clóvis Cortes, engenheiro chefe dos serviços, convidou o Dr. Xenócrates Calmon para dar o primeiro golpe nas escavações do grandioso empreendimento.

Foto vista aérea da ponte Florentino Avidos

Durante quase um ano, a Comissão de Serviços de Melhoramentos de Vitória, através de sua 5ª Divisão, vinha executando o projeto, construindo, sob sua administração, cerca de 100 metros de ponte e cravado todas as estacas para as fundações do encontro a ser construído na margem de Colatina.

Tendo, porém a referida Comissão recebido uma proposta vantajosa da firma Christiani & Nielsen, especialista em cimento armado, para a construção de toda a infra-estrutura da ponte, resolveu estudá-la e acabou celebrando com a mesma um contrato, em 26 de março de 1927, para a realização desse serviço.

Damos a seguir, alguns dados a respeito do aludido contrato: A extensão total da ponte será de 682 metros, aproximadamente, dividida em 26 vãos de 26,25 metros, de centro a centro de pilares. A infra-estrutura constituirá, portanto, de 25 pilares e dois encontros. Cada pilar será fundado sobre 14 estacas de cimento armado, de 18 metros de comprimento, cravado até a nega. As estacas são protegidas por um enrocamento. O pilar propriamente dito será de concreto armado e vazado, de modo a reduzir a carga obre as estacas. O encontro de margem de Colatina será sobre estacas, as quais já foram cravadas pela Comissão de Melhoramentos. O encontro da margem esquerda será fundado sobre rocha viva, existente nesse local acima do nível comum das águas.

A superestrutura será de estrado superior, de aço, e consistirá de duas vigas armadas de alma cheia. A rodovia terá uma largura de quatro (4) metros, com uma linha férrea central, e terá uma laje abaulada de concreto armado até a cota do boleto de trilho, de modo a servir também como estrada de rodagem.

A firma construtora se obriga a entregar todo o serviço (25 pilares e dois encontros prontos para receber a superestrutura metálica), em 30 de abril de 1928, pelo preço total de 1:464.000$000 (mil, quatrocentos e sessenta e quatro contos de réis).

Os serviços serão atacados da margem de Colatina para a margem oposta, de modo a permitir a 1º de outubro do corrente ano (1927) o início da montagem da superestrutura, cuja concorrência administrativa para fornecimento será dentro de dias.

Destarte, a montagem será terminada após a conclusão da infra-estrutura, devendo a ponte ser franqueada ao trânsito ainda dentro deste período governamental.

O prazo para o início dos serviços da infra-estrutura será de 30 dias contados da data da assinatura do contrato".

Na ocasião foi esclarecido ainda que a firma Christiani & Nielsen foi a mesma que construiu o Edifício do Banco de Londres da América do Sul, nesta Capital, e que se tratava de empresa especialista em concreto armado, universalmente conhecida e idônea.

Poucos meses depois, em 22 de setembro desse mesmo ano de 1927, o presidente do Estado, seguiu com destino a Colatina, em automóvel de linha, seguido pelo Dr. Ceciliano Abel de Almeida, superintendente da Estrada de Ferro Vitória a Minas, que também seguiu viagem, juntamente com o Dr. Aristeu Aguiar, secretário da presidência, Drs. Moacyr e Sílvio Ávidos, engenheiro Clóvis Cortes e outros membros da comitiva.

Em Colatina, o presidente Florentino Avidos almoçou na aprazível residência do Dr. Xenócrates Calmon, presidente do Congresso Legislativo. Em seguida, visitou as obras da grande ponte sobre o Rio Doce, encontrando 5 pilares já construídos, 4 fora d´água e mais 5 em promissor e firme andamento.

Visitou também os trabalhos da Estrada de Ferro Norte do Rio Doce, constatando a existência de 4 quilômetros de preparação da linha e 2 de leito já concluídos.

Na oportunidade, ainda inaugurou o vapor Juparanã destinado a intensificar a navegação fluvial, viajando nessa embarcação de Colatina a Barbados, sendo-lhe oferecido a bordo pelo Dr. Xenócrates e Virgínio Calmon um substancioso 'lunch'.

Encontravam-se também a bordo os membros da comitiva presidencial e algumas pessoas da sociedade colatinense.

Ali, visitou as obras da Estrada de Ferro Santa Cruz a Barbados, a cargo do engenheiro J. Leite, verificando que 5 quilômetros de leito dessa ferrovia já se encontravam preparados.

Às 16horas, S. Excia. e comitiva saíram de Barbados, chegando à estação de São Carlos à noite".

Lucílio Ribeiro também fala que "essa estrada de ferro, visitada pelo Presidente Avidos, em Barbados, acabou malogrando. Igualmente malogrou a Estrada de Ferro Norte do Rio Doce, com exceção da ponte, que foi inaugurada em 28 de junho de 1928".

SOLENIDADES DA INAUGURAÇÃO DA PONTE

Sobre as solenidades de inauguração da ponte, Lucílio fala que em 28 de junho de 1928, um dia após a inauguração das pontes ligando a ilha de Vitória ao continente, o presidente Florentino Avidos inaugurou também a ponte sobre o rio Doce em Colatina.

Foto noturna da ponte Florentino Avidos

"Nesse dia, S. Excia. partiu do Palácio do Governo, em automóvel, acompanhado de sua comitiva, a fim de inaugurar a estrada de rodagem, de Santa Tereza a Colatina e, depois, a grande ponte sobre o Rio Doce, nesta última cidade.

A respeito dessa inauguração, o Diário da Manhã", desta capital, em sua edição de 1º de julho de 1928, publicou uma extensa reportagem, com riqueza de informações, que transcrevemos na íntegra:

"Em nossa notícia de ontem já demos uma idéia do que foram as festas com que Colatina soberbamente celebrou a inauguração da sua ponte sobre o Rio Doce e o trecho da estrada de rodagem que a liga a Santa Tereza, pondo-a assim em fácil e rápida comunicação com esta capital.

Daqui partiram em automóvel, no dia 28, às 7h30, o Exmo. Sr. Presidente Florentino Avidos, o ministro Heitor de Souza, representante do Sr. Presidente da República, e sua Exma. Sra., Dr. Aristeu Aguiar, o prefeito Otávio índio e Exma. Sra., deputados federais e muitas outras pessoas gradas e Exmas. Sras., séqüito que só parou em Santa Tereza às 10:30h para servir-se de um lauto 'lunch' oferecido pelo Governo Municipal, representado pelo seu presidente o Sr. Orlando Bonfim e outras pessoas distintas da localidade, cuja sincera hospitalidade já era conhecida pelos excursionistas.

Pouco depois, pôs-se em movimento a brilhante comitiva, e no alto da serra de Santa Tereza sobre um artístico arco, lia-se este dístico: "Estrada de Canaã- Salve Presidente Avidos", e um laço de fita atravessando toda a estrada.

Ali o brilhante orador Orlando Bonfim, em rápido improviso, solicitou do presidente que a nova rodovia se chamasse CANAÃ, em homenagem ao autor desse livro genuinamente nacional, inspirado pela deslumbrante vista que dali se descortinava sobre o imenso vale, que se ostentava e perdia de vista aos olhos maravilhados dos espectadores.

O Sr. Presidente consentiu na proposta e ficou assim batizada a estrada por onde seguiu o distinto séqüito, que após três horas de viagem atingiu Colatina, sendo recebido pelas principais personalidades locais e por uma imensa multidão, que aclamou delirantemente os recém-chegados".

O ENGENHEIRO CONSTRUTOR DA PONTE OSCAR MACHADO DA COSTA

O engenheiro construtor da ponte Florentino Avidos, Oscar Machado da Costa, faleceu no dia 1º de novembro de 1963, na cidade do Rio de janeiro, e sua morte foi anunciada pelo Jornal do Brasil:

"Morreu aos 69 anos de idade na Casa de Saúde São Sebastião, onde se encontrava internado há alguns dias, o engenheiro Oscar Machado da Costa, considerado o maior especialista brasileiro na construção de pontes, e que ultimamente estava empenhado na projeção e execução de cinco viadutos entre os quais se destaca o que será o mais alto da América Latina, com 132 metros corresponde a um edifício de mais de 40 andares.

Autor do livro "Vigas Armadas' e de várias monografias técnicas, o Dr. Oscar Machado da Costa, como fiscal do Brasil nas obras da ponte internacional Brasil-Argentina, entre Uruguaiana e Paso de Los Libres descobriu que a parte brasileira estava sendo construída errada (não se encontraria com a da Argentina) e não só a consertou como ainda conseguiu a etapa do Brasil antes da Argentina.

ELE INVENTOU O DINOSSAURO

Nascido em Lambari, Minas Gerais, em 8 de julho de 1894, Oscar Machado da Costa, formou-se na Universidade de Cornell (EUA), na turma de 1916. Destacam-se entre os seus projetos a ponte sobre o rio Paraná, em 1920, a ponte sobre o Rio Doce em Colatina, no Espírito Santo, quando inventou o aparelho e que denominou "Dinossauro", para lançamentos de vôos metálicos hoje amplamente usado.

Foi designado pelo Clube de Engenharia para proceder a vistoria técnica e aprovar a ponte Hercílio Luz, em Florianópolis, que é a maior do Brasil. Dedicou-se ao estudo e à execução de reforço de pontes metálicas e ferroviárias sem interrupção de tráfego, ou seja, montava a nova ponte ao lado da antiga, que depois era inutilizada.

Ele possuía a Ordem do Mérito Militar e era membro da American Society of Civil Engeneer, nos Estados Unidos, da Academia de Ciência de Nova Yorque e da Sociedade de Engenheiros Civis da França. Era casado com Amália e tinha três filhas: Lídia, Amália e Luzia".


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