Colatina: Histórias e Conquistas

A mulher Colatina de Azevedo Freire

Colatina era paulista, da cidade de Campinas, nascida em 24 de novembro de 1864. Era filha de Sebastião José Rodrigues de Azevedo e de Colatina Soares de Azevedo, filha do capitão Joaquim Celestino de Abreu Soares, Barão de Paranapanema, e de sua primeira esposa Joaquina Angélica de Oliveira.

Participou dos eventos sociais e culturais mais significativos da sociedade paulistana, foi quando então conheceu José de Mello Carvalho Moniz Freire, que seria mais tarde governador do Espírito Santo por duas vezes, com quem casou e teve dez filhos. Colatina foi uma mulher que marcou presença na cultura capixaba e tem o seu lugar na Academia Feminina Espiritossantense de Letras (AFESL). Em Vitória, ela tocava e interpretava, ao piano, as composições mais famosas dos mestres da música.

Foi homenageada com o nome à Vila de Colatina, no dia 9 de dezembro de 1899, pelo desembargador Afonso Cláudio. Em discurso, ele disse: "Esta homenagem à paulista, certamente, tornará próspera a futura cidade".

   

Botocudos foram os primeiros habitantes

Os índios Botocudos dominaram a área de floresta do Rio Doce até São Mateus, além de parte de Minas Gerais, por três séculos, desde a primeira entrada no rio Doce, ocorrida por volta de 1572, chefiada por Sebastião Fernandes Tourinho, rumo a Minas Gerais.

Eles começaram a desaparecer a partir de 1921, com o desenvolvimento de Colatina e a sua emancipação política do município de Linhares, ao qual pertencia, e a onda de povoamento da Região Norte começou a partir da construção da Ponte Florentino Avidos, em 1928.

   

Tentativa de colonização

Em 1857, o engenheiro Nicolau Rodrigues dos Santos França Leite, trouxe colonos portugueses, franceses e alemães para morar entre as barras dos rios São João e Pancas, que chamou de Francilvânia, nome que alguns chamavam Transilvânia e que acreditam ser a origem do atual bairro São Silvano. Mas eles só ficaram três anos, pois as propriedades foram destruídas e as famílias massacradas pelos índios.

   

A chegada dos imigrantes

Em 1876, italianos, alemães, suíços e poloneses, e também brasileiros, foram se instalando rumo ao rio Doce, formando propriedades agrícolas. Em 1888, já era elevada à Vila a antiga sede do Núcleo Colonial "Senador Antonio Prado", era o povoado de Mutum, hoje Boapaba.

Os distritos de Baunilha e Itapina começaram a se desenvolver a partir de 1906 com a chegada da Estrada de Ferro e dos italianos, alemães, poloneses e brasileiros de Minas Gerais.

   

Vila, emancipação e a revolta do Xandoca

O bairro Colatina Velha é o berço da cidade de Colatina. Em 1890, foi instalado para o Governo, o Barracão do Rio Santa Maria, que cresceu e se tornou um povoado. Em 1892, surgiram as primeiras casas. Em 1899 recebeu o nome de Vila de Colatina.

A Vila foi crescendo a partir de 1906 com a inauguração da Estação da Estrada de Ferro, e iniciada a comunicação direta com Vitória. O desenvolvimento econômico daqui abalou Linhares e fez com que todo o comércio de grande parte de Minas Gerais e do Espírito Santo, que era feito em Linhares, passasse a ser feito em Colatina.

A partir daí surge um movimento em favor de Colatina, liderado pelo coronel Alexandre Calmon, "o Professor Xandoca", que transformou Colatina em sede do município, e não Linhares. Em 1907, Colatina continuava como Vila, mas contava com a Câmara Municipal de Linhares e a Comarca do Poder Judiciário.

No dia 30 de dezembro de 1921 foi criado o município de Colatina, separado de Linhares. E a situação se inverteu, com Linhares passando a ser Vila subordinada a Colatina, e só se emancipando em 1945.

   

Hino

Dobrado-canção "Saudade de Colatina", criado pela Lei nº. 718 de 15 de julho de 1957, sancionada pelo então prefeito Raul Giuberti, que determina que "o citado dobrado será obrigatoriamente cantado na cerimônia de abertura dos festejos do Dia de Colatina e em todas as solenidades municipais".

Letra e música de autoria do maestro Walfredo Rubim, natural do Rio de Janeiro, e professor de música do então Colégio Conde de Linhares, que hoje está desativado.

   

Bandeira e Brasão

Instituídos pela Lei nº. 1.413, de 19 de agosto de 1964, sancionada pelo então vice-prefeito municipal, Pergentino Vasconcelos, a bandeira tem tamanho oficial de 5mx3m, consta de 13 listas horizontais, sendo 7 na cor azul e 6 na cor branca. Na parte esquerda superior está inserido o brasão. Já na parte superior e inferior do brasão tem duas inscrições "Colatina" e "Labor Ominia Vincit" (que quer dizer O Trabalho Tudo Vence).

Segundo a lei a cor azul da bandeira trata da limpidez do nosso firmamento; o branco, a paz para o trabalho construtivo; o brasão, as armas com as quais o honrado povo colatinense despontou com labor incansável o município dentre os mais progressistas e punjantes da nação brasileira.

 

Pontos turísticos

Avenida Beira-Rio

A avenida Beira-Rio é o local preferido dos colatinenses para as caminhadas nas manhãs, tardes e até mesmo à noite, pois conta em todo o seu percurso com o rio Doce, a Ponte Florentino Avidos e o pôr-do-sol. A paisagem proporciona aos caminhantes um grande espetáculo .

A avenida está sendo ampliada com mais 130 mil metros quadrados que vai contar com áreas de lazer e cultura, pista larga, calçadão, ciclovia e estacionamento. Terá um shopping center, bosque botânico, quadras esportivas, ciclovia, praça da ciência e um planetário.

   

Estátua do Cristo Redentor

Inaugurada pela Prefeitura em 1975, no bairro Bela Vista, foi construída pelo arquiteto, desenhista, pintor e escultor autodidata, Antônio Francisco Moreira, e considerada na época a segunda maior estátua do Brasil, ficando atrás apenas da do Cristo Redentor do Rio de Janeiro. Tem altura total de 35,5 metros. A altura da estátua é de 20 metros, o pedestal mede 15,5 metros, o comprimento das mãos tem 1,80 metro e a largura de braço a braço é de 40 metros.

 

Ponte Florentino Avidos

Foi inaugurada em 1928 e com ela ocorreu a efetiva colonização da Região Norte do Estado. Foi implantada para a construção da Estrada de Ferro Norte do Rio Doce, de Colatina a São Mateus, que não foi concluída. O nome é em homenagem ao governador do Estado da época (1924-1928), Florentino Avidos.

Pôr-do-sol

O Pôr-do-sol de Colatina foi classificado na década de 60 pela revista americana Time, como um dos mais bonitos do mundo. Nas tardes quentes do verão, ou mesmo nas outras estações com muito sol e calor, surgem no horizonte em torno do sol poente as cores amareladas, avermelhadas, azuladas, lilases e de muitos outros tons que fazem um espetáculo, emoldurando a paisagem da cidade.

 

Praça Municipal

Foi inaugurada em 1935, na primeira administração de Justiniano de Mello e Silva Netto. No início do século passado, 1906, era o local da antiga estação ferroviária da Estrada de Ferro Vitória a Minas. Na década de 90 recebeu o nome atual "Belmiro Pimenta Teixeira", em homenagem ao ex-deputado federal. Ela está localizada no centro da cidade ao lado de dois patrimônios históricos, o prédio da Câmara de Veradores e a escola mais antiga do município, Aristides Freire.

   

Praça Sol Poente

A Praça Sol Poente é o principal centro de lazer e cultura de Colatina. Ela está situada numa área de 20 mil metros quadrados, que fez parte do percurso da Estrada de Ferro Vitória a Minas, até 1975, quando os trilhos foram retirados do centro da cidade. Conta com símbolos remanescentes da Estrada de Ferro, como os prédios da antiga estação ferroviária, um armazém (Biblioteca Pública Municipal) e ainda um antigo vagão de trem.

A praça é formada por vários jardins, pistas de skate e de patins, quadra esportiva, parque infantil, área para ginástica, campo de areia, biblioteca e ainda tem espaço para eventos e festas. Nos sábados e domingos acontece a Feira de Artesanato, animada com eventos culturais ligados a shows musicais, peças teatrais, apresentações de dança e outras atrações. Ela também é um pomar público, contando com dezenas de árvores, inclusive frutíferas, com pés de manga, coco, goiaba, jambo, abacate, jaca, cajá, caju, jamelão e castanha.

 

Biblioteca Pública Municipal

Funciona no antigo armazém da Estação Ferroviária, área doada pela Vale ao município na década de 80. Foram preservadas as características originais do armazém, construído no início do século passado. Foi inaugurada no dia 1º de julho de 1989, quando recebeu o nome de "João Chrisóstomo Belesa", em homenagem a um ex-presidente da Vale. Seu acervo é formado por cerca de 20 mil volumes.

 

Catedral do Sagrado Coração de Jesus

A partir da Lei nº. 5.246, sancionada em 25 de outubro de 2006, a Catedral Sagrado Coração de Jesus, antiga igreja matriz, tornou-se o mais novo patrimônio histórico municipal, uma área de preservação histórica, artística e cultural. Padre Geraldo Meyers foi o responsável pela construção. Ela passou a ser denominada Catedral no final da década de 80, quando o Papa João Paulo II criou a Diocese de Colatina.

O engenheiro responsável pela planta da matriz foi Calixto Benedito, o mesmo que projetou o Santuário de Aparecida, em São Paulo, e o construtor foi Ludovico Dalla Bernardina. A Catedral conta com vitrais, sinos, relógio e duas torres. As paredes são feitas com enormes vitrais coloridos com motivos religiosos e passagens bíblicas trazidas da Europa.

 

Rio Doce

Passa por todo o centro da cidade e impressiona os visitantes pela largura, que é de aproximadamente 750 metros. É o maior rio do Estado, com vazão de 990 metros cúbicos por segundo. Sua nascente está nas Serras da Mantiqueira e Espinhaço, em Minas Gerais; e suas águas percorrem 875 quilômetros de extensão até à foz, desaguando em Regência, Linhares.

 

ECONOMIA

Empresas e empregos

Colatina tem ótimos arranjos produtivos que passam por indústria, comércio, serviços, rochas ornamentais, além de outros segmentos. Mas a base econômica do município é o de comércio e serviço, que corresponde a 66% da economia na cidade, seguido pelo ramo de serviços com 26% e da produção agrícola com 8%.

     

Confecção

O Pólo de Confecção de Colatina e Região é um dos maiores do Brasil e o maior do Estado. Nele, existem cerca de 520 empresas instaladas em Colatina, destas 78% são micros, 19% pequenas e 3% grandes. Juntas elas geram aproximadamente 11 mil empregos e uma produção de mais de dois milhões de peças por mês.

     

Agricultura e Granito

O município é forte também na agricultura, com destaque para o café que tem uma produção anual de 250 mil sacas, com área total plantada de 17 mil hectares. A fruticultura, a produção hortigranjeira e a pecuária também são fortes na região.

A maior riqueza mineral é o granito e o Terminal Rodoferroviário de Cargas é o mais novo pólo industrial de Colatina. Ele ocupa uma área de 65 mil metros quadrados, no bairro Maria Ortiz e tem capacidade de transporte anual de 650 mil toneladas de granito. Mais de dez empresas estão se instalando no Terminal. Com o Pólo Industrial serão gerados mais de 100 empregos diretos e 200 indiretos.

 

Educação

Nos últimos anos o município tem investido muito em Educação. A Rede de Ensino de Colatina está com mais qualidade. Foi implantado o Ensino Fundamental para nove anos, ficando a criança mais tempo na escola. Um outro destaque é para o projeto Escola de Tempo Integral, que proporciona a mais de duas mil crianças a permanência na escola em período integral.

O município possui 93 escolas municipais, sete estaduais, 13 particulares, duas escolas federais (técnica e agrícola), dois centros universitários e ainda quatro faculdades de ensino à distância.

 

Saúde

Hoje, a população tem acesso a diversos programas de saúde, o que melhorou muito a qualidade de vida do colatinense. Colatina possui ótimos hospitais, várias unidades municipais de saúde, Policlínica, pronto atendimento, laboratórios clínicos e de patologia, clínicas de radiologia, centros de hemodiálise e de especialidades (odontologia) para atender melhor a população desde atenção básica a procedimentos de alta complexidade.

Além disso, existem os programas da rede básica de saúde, como o Programa de Saúde da Família, que também atende o interior; Programa de Saúde da Mulher; o Centro Especializado de Odontologia (CEO); Programa de DST/AIDS, entre outros.

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